terça-feira, 7 de julho de 2009

Tudo que dói

Hoje enquanto conversava com a minha mãe meu telefone começou a tocar. A curiosidade de saber quem está ligando é sempre grande e logo caminhei em direção a mesa e abri o flip. Assim como a curiosidade tomou conta, a falta de paciência também tomou e logo coloquei ali em cima da mesa, com uma cara que não negava a falta de vontade de sequer atender.

Não deu muito tempo e de novo tocou. Lá de fora falei pra minha mãe atender e falar que eu tinha saído e que tinha deixado o celular em casa.

Ela veio conversar comigo e depois que ela saiu parei um pouco pra pensar. Na verdade estou pensando nisso tudo há tempos e a vontade de escrever sempre predomina, mas o desgaste é tanto que o tesão pra colocar aquilo que me faz mal pra fora é mínimo, e então não escrevo.

Eu estou cansada dessa mesma ladainha que me persegue. Eu não sei onde estava com a cabeça naquele sábado – de fato sei: estava com a cabeça mergulhada em um negócio chamado “delicinha” que me destruiu e acabei fazendo coisas que normalmente não faria se estivesse sóbria.

Todo aquele papo de “estou diferente”, “vamos ficar juntos” era mesmo tudo balela! Ele está igual! Com os mesmo vícios de linguagem que me tiram do sério, com o mesmo beijo que praticamente me sufoca, me esmaga, com a mesma maneira de pensar, de comer, de andar arrastando os pés, de olhar com aquela cara de cachorro sem dono que me irrita, com a péssima mania ao achar que as coisas podem ser iguais ao que é contado na tela do cinema. Continua achando que concordar comigo em tudo vai me levar pra perto. E ele está tão enganado sobre tudo...

Nesses nossos “vai e volta” eu sempre tive uma visão muito diferente da dele e por isso sempre fui a “sem sentimentos” da vez. Amo ele e disso não tenho dúvidas, mas como meu amigo. Ele é incapaz de enxergar o quanto se torna chato quando deixa de ser isso e passa a ser qualquer outra coisa. Ele sempre me sufocou e eu sempre falei isso pra ele.

Tenho culpa e não nego. Sempre dei chance pra que a terceira, quarta, quinta vez acontecesse, mas uma situação totalmente mascarada era apresentada e eu sempre quis acreditar (principalmente nos meus momentos em que a solidão era minha aliada). Talvez até mesmo por orgulho ferido, por não aceitar que uma coisa não dava certo simplesmente porque não dava.

Mas tenho plena consciência que tudo isso sempre me cansou, antes mesmo de começar, principalmente o fato dele não aceitar que “nós” não existe. Sempre ficamos depois que alguma grande relação minha tinha chegado ao fim. Ficava com ele pra tentar sanar aquilo que estava ali, aberto, recém formado. Eu precisava de colo, de um “eu te amo” ao pé do ouvido, de abraços e de Dave Matthews na tela. Só.

Essa história de “mas diferentes é que somos iguais” é a maior mentira, no que diz respeito ao nosso relacionamento, que acreditei por alguns minutos. Somos realmente diferentes, até no amor. Somos diferentes porque eu cresci e ele ficou estagnado nos seus 23 anos, mergulhado em um copo de cerveja com um violão nas costas.

Sei que parece egoísta, mas sempre deixei quase tudo muito claro. Aquilo que não dizia na lata era porque achava que não precisava, mas ainda assim estava nas entrelinhas. No fundo eu acho que o que eu sempre amei foi a dor. Amo tudo que dói nele.

Um comentário:

  1. Post mais q perfeito, mas essa frase "No fundo eu acho que o que eu sempre amei foi a dor. Amo tudo que dói nele." ganhou minha atenção....A gnt sempre ama a dor, e aee dor, paixão, amor, desejo, orgulho, tudo se mistura e quando menos percebemos estamos perdidas de nós mesmo. A boa notícia é que o tempo realmente há de curar os vícios!!!

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