Hoje andando de carro pela Avenida do Estado, voltando pra casa, me lembrei da última vez que tinha passado por ali. Ouvindo uma música qualquer no rádio, com o pensamento longe, longe. Há tempos estou pra registrar isso de uma maneira mais leve do que na minha agenda, até porque tenho menos paciência pra escrever lá.
Uns três meses atrás transitar por aquela avenida era costume, hábito semanal. Podia ser no banco do passageiro ou deitada, contando quantos postes passavam pela gente. Confesso que estava feliz sim e por isso tinha medo. Tudo parecia se encaixar muito bem, as palavras que saiam daquela maldita boca era exatamente o que eu queria ouvir e a mão que repousava em minha coxa era grande, maior que a minha.
Tola, burra, pensei quando revi todo aquele caminho totalmente batido. Perdi a conta de quantas vezes a razão me segurou, quantas vezes ela me mandou ter calma e abrir os olhos... Embora tenha perdido a conta de quantos minutos de sermões chatos e longos escutei dentro do carro, na frente da minha casa. Naqueles minutos eu cresci e, infelizmente, acreditava que tudo aquilo que estava ouvindo era pro meu bem. Hoje creio que tudo aquilo que era falado era simplesmente por comodismo, pro próprio bem-estar (dele!).
Quando tudo começou a ter partido apenas do meu lado, que a situação começou a ficar obscura e estranha escrevi, não acreditando muito no que registrava, que ele analisava tanto os defeitos dos outros que era incapaz de enxergar que, se ele não era igual, era ainda pior. Sempre gostei e preferi pessoas que se mostravam como realmente eram. Nunca gostei de fantasias, de faz de conta... Tanto que nunca me mostrei puritana, politicamente correta... Mas quando coloquei tudo no papel ainda acreditava que as coisas poderiam ser diferentes, que aquele homem que ele mostrou ser realmente existia, não era fingimento. Engano meu, mais uma vez. Hoje sinto repulsa por toda aquela encenação e frases prontas.
E sabe que eu até tento entender? Certas pessoas se dizem maduras, batem no peito pra falar que são diferentes de todos os outros “moleques” e no fundo não se dão conta da mentira envolvida nisso tudo. É uma hipocrisia sem margens! Mas estou aprendendo a não ligar mais... Tais pessoas proclamam tanto aquilo que não é verdade que elas começam e tomam como realidade os próprios absurdos que divulgam por aí.
Lamento. E como lamento! Acho triste pensar em alguém que tem como alimento algo que não é real, que não é nenhum pouco vital.
Se eu era a “menininha” (como carinhosamente gostava de ser chamada), hoje eu digo que ele era molequinho. Moleque ele realmente não era. Era muita coisa chamá-lo assim.
promete-me que terás saudades minhas...
Há 14 anos

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