domingo, 10 de maio de 2009

A outra II

Ou gostaria também de estar sentada agora em um divã, ao invés de estar sentada nessa cadeira... Talvez eu acreditasse (pagasse pra acreditar) que alguém estaria ali, me ouvindo e me entendendo sem querer questionar aquilo que eu exponho, aquilo que eu mesma tenho dúvidas. Sem direcionar um olhar de pena.

Tenho mantido diálogos longos comigo em frente ao espelho ou encostada na parede do banheiro. É engraçado e solitário dizer isso, mas sempre tenho a impressão de que os objetos me acolhem: a madeira da minha cama, o travesseiro... A boneca que, bem baixinho, sussurra conselhos que ninguém quer ouvir. Cat Power canta só pra mim às vezes, assim como Dave Matthews e Rod Stewart. O sorvete pra me fazer companhia promete não piorar a minha garganta (e sem alternativa melhor, acredito).

O nó que criei está aqui, preso. A lágrima espera eu ter coragem para colocá-la pra fora (de novo, mais uma vez). Meus dedos imploram por mais tempo, por mais letras com outras que formam esse desabafo, que os aliviam. Minha mente pede descanso, talvez um benzodiazepínico pra só acordar quando tudo isso passar.

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