domingo, 29 de março de 2009

Nervosismo

Quatro horas da tarde, eu daquele jeito que já contei, um maremoto de tesão latejante, ele atrasado, uma aflição. Tive que me conter para não cair em cima dele assim que passei a chave e o ferrolho na porta, mas consegui me segurar, fiquei em pé junto dele, e ele, depois de uma eternidade, pôs a mão no meu ombro e disse:

- Como vai você?
- Vou bem, vou bem. Vou nervosa.
- Nervosa?
- O que é que você acha? Minhas pernas estão tremendo.



- A Casa dos Budas Ditosos - João Ubaldo Ribeiro

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