Ontem estava louca pra voltar logo pra casa! Aquele frio e aquela chuva me faziam pensar que todo mundo era merecedor de estar em suas respectivas camas, debaixo dos cobertores.
O metrô chegou e aquele vento no rosto causava arrependimento: deveria ter faltado só um diazinho.
Entrei e sentei. Como de costume passei a observar quem estava ali, ao meu lado.
Perto de mim havia um casal, aparentemente bem. Reparei que a mão dela estava no bolso de trás dele e sei que posso parecer um pouco careta, mas acho esse tipo de coisa super desagradável. Há horas e horas pra colocar a mão na bunda do seu namorado, e definitivamente aquela não era a hora, mas...
Continuei a reparar nas pessoas, mas esse casal continuava a chamar a minha atenção – e a de todo mundo! Uns beijos mais calientes, com uma perna entre duas... E por estar olhando tanto a menina deve ter começado a pensar que estava dando em cima do namorado dela e tornou tudo ainda mais explícito. Era língua pra tudo que era lado, uns apertões, um rala-coxa e mordidas na orelha.
Logo desci, no Paraíso, e por isso não posso relatar como terminou.
Parei pra pensar nisso e realmente acho um absurdo demonstrações públicas de afeto. Beijo eu já acho um tanto íntimo demais pra dar na frente de pessoas estranhas... O resto então, nem se fala!
Vira e mexe vejo pessoas se atracando nos vãos das estações, na rua, na faculdade ou até mesmo dentro do vagão, e eu acho que elas esquecem certos valores.
Acredito que sexo não é só o próprio ato, aquele entra-e-sai terminando com o orgasmo. As pessoas esquecem que sexo também é toque, carícias, olhares... E em vez de aproveitarem esses momentos a sós preferem vulgarizá-los (e ainda acham bonito).
Como eu queria ter nascido antes de 1988!
promete-me que terás saudades minhas...
Há 14 anos

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