sexta-feira, 17 de abril de 2009

Opostos ou não

É engraçado como essa coisa de atração acontece. Você olha pra uma pessoa e sabe que é ela, simplesmente porque tem que ser. Ela te atrai, tem alguma coisa que você gosta. Ou tudo. Foi assim quando te vi naquela sala escura de cinema, escorado no apoio da cadeira. Notei que estava notando, e por isso quis notar mais do que tinha visto, mas não dava! Toda vez que olhava você olhava junto. Nem dava pra tentar disfarçar. Você foi injusto, egoísta! Olhou e reparou mais e nem fingiu que não estava vendo pra eu poder te olhar com mais atenção.

Quando o filme acabou grudei o olho em você, e fui acompanhando os seus gestos, imaginando como seria a sua voz, até achar que tinha te perdido de vista: que merda! Ainda bem que essa sensação durou menos do que cinco minutos. Foi até olhar pro lado e ver você me olhando, tentando imaginar uma forma sutil (ou não) de chegar. Nos apresentamos, te chamei pra jantar comigo e com a minha amiga que quase deixou você escapar. Ela foi quem mais falou enquanto comíamos, e eu estava achando ótimo, afinal conheceria mais você sem ter que me entregar, ou falar de mim. Mas sem problemas: ela fez isso também.

Dentro do carro falamos bastante e, enquanto você falava, me pegava viajando em tudo aquilo que estava acontecendo, ainda sem querer acreditar. Não conseguia prestar atenção em nada que não fosse aquela voz e aqueles olhos me fitando e focando todo e qualquer tipo de movimento que eu fazia. Foi aí que você me percebeu ainda mais, mas também como não poderia?! Movimentei as mãos, lambi os lábios e me curvei pra ver o carro passar. Você parou de falar pra olhar. Sim, mas nem tudo foi inconsciente. O consciente me atrai e sempre acaba falando mais do que eu. Ele me denuncia.

Tudo foi muito louco e rápido. A noite acabou às cinco e meia da manhã com um endereço de blog e com o meu telefone anotado em uma folha de sulfite cheia de rabiscos.

Encontros e mais encontros, e aquela vontade de te conhecer aumentava a cada dia que passava. Era gostoso imaginar como seria a próxima vez, e a outra... Até que um dia você enrolou pra me trazer em casa, e paramos em um lugar qualquer pra esticar um pouco mais a noite. Gostamos de fazer isso (eu pelo menos adoro, ainda mais nas madrugadas). E não mais que de repente tua voz foi ficando próxima e tão perto do meu ouvido não há como renunciar: me despe de qualquer armadura que eu tente usar. O seu perfume impregnava e quando deitava na cama, tentava reviver cada momento de novo e de novo.

Nos vimos depois, e aquela vontade, aquele tesão persistia. O teu cheiro, e o teu corpo me induziam a ficar mais perto. O seu peito pedia (sempre pede) pela minha mão ali, onde te arrepia. E tua mão pela minha boca (um tiro certeiro!).

Houve uns desencontros, onde eu me perdi e ficava paralisada perguntando o que estava acontecendo. Eu não estava entendendo nada e me esforçava pra tentar entender a razão de não entender. Depois de descansar a mente e de rabiscar guardanapos de bares de esquina eu me achei, ou me perdi novamente naquilo que eu sempre fui. De repente acordei diferente, e desejando aqueles mesmos olhos que me fitaram no primeiro encontro, na primeira sessão de cinema.

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