
Onde você ainda se reconhece?
Na foto passada ou no espelho de agora?
Oswaldo Montenegro - A Lista
Olhando fotos de certo tempo atrás, eu canso de me perguntar o que estou fazendo na minha vida. Mudei tanto que quando penso no passado me assusto.
Antes eu tinha um olhar puro, inocente... Nas fotos recentes enxergo uma mulher e me pergunto quem é ela. Na verdade sou eu. Apenas diferente!
Já não tenho mais o mesmo corte de cabelo, nos ombros...
Já não uso mais lente colorida... Acabei ficando com a incolor. Aquela história de todo mundo achar o meu olho lindo e em seguida perguntar se era lente enchia o saco!
Já não sou mais classificada pela turma como BV, entre outras coisas...
Perdi a noção, o limite do certo e errado.
Era tão tímida, a ponto de ser chata, e hoje em dia adoro ser notada, assim como gosto de me sentir e ser desejada.
Perdi a vergonha. Não tenho mais papas na língua e sou extremamente sincera.
Freqüentei aulas de chatices durante esses 06 anos. Sou chata sim, o que é um bom sinal, afinal só pego no pé de quem eu realmente gosto. Mas tem dias que estou insuportável, a ponto de não me agüentar.
Quando decido conquistar alguma coisa ou alguém, escreva! Porque eu consigo. Cerco, sigo, planejo... Vou ao inferno, se preciso.
Adoro liderança. Com o passar do tempo isso ficou mais aflorado, mas ainda me contenho.
Apesar de esconder (ou tentar) sou muito carente. Hoje ainda mais. Preciso constantemente de adornos e mimos.
Mudei o desenho da minha sobrancelha (ainda bem!).
Aproveito as coisas da minha maneira, não me importo com a opinião alheia.
Não troco de idéia tão facilmente como antigamente. Nenhuma meia dúzia de palavras me faz repensar em qualquer bobagem.
Sou ciumenta, mas sei me controlar. E ainda devo confessar que sou dramática.
Aprendi a gostar de Björk. Me encantei e me apaixonei por Dave Matthews.
Minhas verdades são prontas.
Reclamo. E como reclamo!
Continuo brigando com o relógio. Ele insiste em me atrasar!
A vida me mostrou que o mundo gira sim, e hoje isso me assusta!
Nesses anos, entre uma foto e outra, fiquei calejada de tanta mentira, de tanta hipocrisia e decepções. Raramente alguém consegue me comover.
Fui enganada por aqueles que juravam amizade “eterna”.
Sofri amores que insistiam continuar presente.
Sofri poucos amores, mas os vivi de maneira intensa dentro de mim.
Com tanta mudança passei a acreditar mais nas pessoas, e em mais amigos... Coisa que JAMAIS deveria ter feito.
Sinto saudades de pessoas que me fizeram muito bem. Aquele tipo de saudade que dói no peito.
Aprendi a omitir os fatos. Toda vez que mentia me dava mal. Agora minto se for pro meu bem.
A minha doença passou a se chamar excesso. Excesso de paixão, de burrice, de amores mal resolvidos, de loucura, de gozo.
Fui capaz de fazer coisas que jamais ousaria contar para os meus netos.
Hoje eu falo besteira. Faço muita besteira. Até arrisco alguns palavrões.
Parei de chorar pelos outros. Se chorar, choro por mim.
Talvez tenha me tornado egoísta (ou não), mas acredito que só parei de distribuir boa vontade ao vento.
Revesti-me de uma nova personalidade e mudei muitas vezes desde então.
Passei a odiar o básico... Não sou muito chegada no comum.
Continuo exageradamente exagerada.
Aprendi a viver a minha vida o quanto antes, fazendo todas as merdas que vierem à cabeça, porque não é de hoje que vivo.
Percebi que o melhor a fazer é pensar em voz baixa e sonhar alto, muito alto.
Apesar dos pesares, sou feliz do meu jeito não muito convencional... Mudo conforme o ritmo da minha música.
Entre 2002 e final de 2008 fui capaz de mudar tudo isso que acabei de citar. Por vontade própria ou porque simplesmente mudei.
Vivo cada instante, cada hoje, cada minuto de dor ou de alegria.
Porque já fui quem não sou e hoje já sou quem sou. Talvez amanhã eu mude.
Talvez.

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